
Não sei até que ponto valeu a
pena entrar de cabeça em um relacionamento vazio. Talvez tudo tenha acabo pela
falta, e não pelo excesso.
Falta de carinho, de atenção, de valorização, falta
de amor, de beijos e abraços.
Ver tv juntos já não era uma parte legal da
rotina. Sim, porque rotina é normal em um relacionamento que deve ser
duradouro. Mas o DEVE ser, já não preenchia mais as incertezas.
Incertezas que vinham e se
instalavam, nunca se foram.
Duvidas frequentes, que não se resolviam. Dores crescentes. Dor de
amar, dor de ver, doía até esperar. Tudo se rompeu, pois já não aviam laços que
me mantivessem viva dentro desta imensidão de tormentos.
As pessoas aguardaram meu luto.
Aguardaram meu sofrimento. Se assustaram com decisão tomada com tanta certeza.
Os outros queriam me ver descabelada. Se assustaram com meu cabelos mais
bonitos, e minhas roupas mais ajeitadas. Se assustaram com minhas unhas pintadas
sinalizando cuidados .
Os primeiros dias foram tristes. As
lagrimas não simbolizavam sofrimento. Apenas insegurança. O baque não foi pelo
termino, e sim pelo medo. Medo de seguir sozinha e começar de novo.
Diziam: não faltou paciência? Casamento
recente é assim. Não faltou vontade?
E eu no meu inconsciente sabia que o que mais faltou foi paciência
e vontade de ficar. Nada mais me prendia aqui. Nem mesmo a segurança de
simplesmente ter alguém. Mas as pessoas seriam incapazes de compreender tanta
falta que se vivia por aqui.
Ninguém vestiu meus sapatos. Nem
sentiu a dor dos meu calos.
Outros diziam: como você chegou
até aqui? Aguentou demais.
Estes também tampouco compreenderiam minha vontade de estar
aqui. Vontade de ter minha família, família que se une, família que em 3 seria
capaz de ser apenas um.
Sobrou vontade de ficar, e faltou
motivos para estar.
A vontade não passava de ilusão.
O Que ficou foram os frutos de uma tentativa frustrante de
constituir uma família.
Filha adorada que talvez sofra para seu todo sempre. Começamos
escrevendo sua historia de uma maneira difícil, que seus 7, 8 anos vão nos
encher de perguntas, e talvez me colocar em duvidas novamente.
Mas com seus 20, 21 será capaz de entender que foi por amor
a ela que me encorajou de cria-la longe de seu herói. Heróis falham minha
pequena. E a Mulher maravilha também!
Amor nunca ira faltar a ela. E ela, sem entender nada,
devagar, ira aceitando a ideia de que foi melhor para nos 3.
Essa parte me dói. Ve-la sofrer e chorar algumas vezes vai
ser uma grande tortura. Mas ve-la saudável,
já me consolaria, por que a vida é
injusta. E não seria justo que ela carregasse o peso das brigas, o peso da infelicidade,
o peso da falta de união. Ela me
culparia por isso.
Viver é um dom, sobreviver uma dadiva.
São tantos porquês inacabados e mal interpretados que as
vezes fica quase impossível de se sobressair. Difícil lhe dar com opiniões
alheias. Mas péssimo seria não fazer
nada diante a situação.
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